Palavras...

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

A LINGUAGEM DO AMOR de Lola Salgado.

Ah o Amor...

Amazon (em e-book para KINDLE), 9163 KB / 660 páginas

"Aos 17 anos, a única coisa que realmente importa para Rebecca é se formar com louvor na faculdade de Letras para, no futuro, realizar o sonho de trabalhar em uma grande editora, perto de todos os livros de fantasia incríveis com os quais cresceu. Morando em uma nova cidade e longe da proteção dos avós, por quem foi criada, ela lutará para não seguir os passos errantes da mãe. Estaria tudo dentro dos conformes se não fosse os murmurinhos percorrendo os corredores da universidade: Adônis, o novo professor de Produção Textual, é um verdadeiro carrasco. Rude, solitário e mal-humorado, ele tenta, na verdade, fugir dos fantasmas do passado."


  Senhoras e Senhores, alguém tem alguma dúvida de que
Rebecca e Adônis terminarão juntos? 

  Pois é... 

  Dúvida ZERO! 

  Mas ouso dizer que isto não tem importância (ou tem pouquíssima) pois A LINGUAGEM DO AMOR é uma história basicamente esteada em personagens, e são elas, muito mais que o enredo, as responsáveis por nos manter ligados ao livro do começo ao fim. 

  É bem verdade que algumas situações podem parecer um pouco arrastadas ou repetitivas, contudo, de modo geral, a história anda bem e os diálogos soam naturais e dinâmicos. O casal de protagonista tem uma boa química e o elenco de apoio é divertido.

  Ah! E é reconfortante saber que amores e arrebatamentos românticos ainda são possíveis, mesmo em um cenário livre de milionários, carros de luxo e afins. 

  A jovem autora é dona de uma escrita fluida, bem conectada e, na minha opinião, qualquer pessoa que consiga manter um mínimo de nexo causal por mais de 600 páginas é digna de nota. Merece meu respeito. 

  Mas, se um conselho é permitido, eu diria para ela evitar, em obras futuras, o excesso de citações e expressões do tipo "Pelas flechas de Fulana...", ou "Pelo anel de Sicrano...". Vejam bem, não são coisas fundamentalmente erradas, porém destoam pelo uso em demasia. 

  No mais, acredito que Lola Salgado tem potencial e, obviamente, a energia necessária para continuar produzindo e aprimorando seu texto. 


  - Well done!



Um beijo e ótimas leituras.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Eu recomendo: A FILHA PERDIDA de Elena Ferrante

"Eu queria está pronta para lidar com os pedidos repentinos de ajuda, temia que me acusassem de ser como eu de fato era: distraída ou ausente, absorta em mim mesma." 

Intrínseca, 174 páginas
   
   Leda é uma professora universitária de 48 anos. Quando suas duas filhas, já adultas, resolvem se mudar para morar com o pai no Canadá ela sente uma estranha leveza. 


"Senti-me milagrosamente desvinculada, como se um trabalho difícil, enfim concluído, não fosse mais um peso sobre os meus ombros."

   Chegam as férias de verão e ela resolve viajar ao litoral do sul da Itália para - por assim dizer - recarregar as baterias e preparar as aulas do novo semestre. Em suas visitas diárias à praia, Leda começa a prestar atenção em uma barulhenta família napolitana. Duas figuras em especial, uma jovem mãe e sua filhinha, a deixam tão impressionada que a observação começa a tomar contornos obsessivos. 

"Um dia levantei os olhos e as vi pela primeira vez: a mulher extremamente jovem e a menina. Estavam voltando do mar em direção do guarda-sol; ela, com não mais do que vinte anos, a cabeça baixa, e a garotinha, de três ou quatro anos, fitando-a de baixo, encantada, enquanto segurava uma boneca da mesma maneira que uma mãe carrega uma criança de colo."

  É a partir daí que a protagonista (também narradora da história) relembra seu passado, revelando, pouco a pouco, nuances profundas de sua natureza. Leda é uma pessoa difícil, portanto uma personagem fascinante, e Elena Ferrante uma escritora primorosa, que cativa nossa atenção desde as primeiras linhas.

Um beijo e ótimas leituras.

sábado, 3 de junho de 2017

Música: JUNHO de Alceu Valença

Pois o mês começou doido, gris e bolorento... mas vai melhorar.





JUNHO

Eu sei que é junho, o doido e gris seteiro
Com seu capuz escuro e bolorento
As setas que passaram com o vento
Zunindo pela noite, no telheiro

Eu sei que é junho!

Eu sei que é junho, esse relógio lento
Esse punhal de lesma, esse ponteiro,
Esse morcego em volta do candeeiro
E o chumbo de um velho pensamento

Eu sei que é junho, o barro dessas horas
O berro desses céus, ai, de anti-auroras
E essas cisternas, sombra, cinza, sul

E esses aquários fundos, cristalinos
Onde vão se afogar mudos meninos
Entre peixinhos de geleia azul.


Alceu Valença


terça-feira, 16 de maio de 2017

Poema: ALMA ERRADA de Mario Quitana.

Tem coisa que só a poesia expressa...





    ALMA ERRADA

Há coisas que a minha alma, já tão mortificada, não admite:
assistir novelas de TV
ouvir música Pop
um filme apenas de corridas de automóvel
uma corrida de automóvel num filme
um livro de páginas ligadas
porque, sendo bom, a gente abre sofregamente a dedo:
espátulas não há... e quem é que hoje faz questão de virgindades...
E quando minha alma estraçalhada a todo instante pelos telefones
fugir desesperada
me deixará aqui,
ouvindo o que todos ouvem, bebendo o que todos bebem,
comendo o que todos comem.
A estes, a falta de alma não incomoda. 
(Desconfio até que minha pobre alma fora destinada ao habitante de outro mundo).
E ligarei o rádio a todo o volume,
gritarei como um possesso nas partidas de futebol,
seguirei, irresistivelmente, o desfilar das grandes paradas do Exército.
E apenas sentirei, uma vez que outra,
a vaga nostalgia de não sei que mundo perdido...

Mario Quintana

terça-feira, 9 de maio de 2017

Contos de Machado que recomendo (#8): AS BODAS DE LUÍS DUARTE

Carregado de referências, no mínimo curiosas, este conto tem uma forte atmosfera de comédia de situações.



   AS BODAS DE LUÍS DUARTE que está no livro Histórias da Meia-noite, começa com a descrição dos preparativos para o grande evento. José Lemos - pai da noiva - responsável pelo o arranjo da da sala, havia comprado no dia anterior duas gravuras para ornar as paredes do ambiente:

GRAVURA 1:

A MORTE DE SARDANAPALO - Delacroix, 1827

* Sardanapalo foi (segundo uma rápida pesquisa) o ultimo rei assírio que, para não cair nas mão do inimigo resolveu suicidar-se. Para isso mandou construir uma enorme pira funerária, na qual jogou todas suas posses (cito: ouro, prata, trajes reais, eunucos e concubinas) seguindo ele o mesmo caminho na sequencia. O detalhe bizarro da história é que parece que Sardanapalo esperou para certificar-se de que tudo e todos estavam devidamente queimados para só então pular no fogo.

- C R E E P Y !!!


GRAVURA 2:  

EXECUÇÃO DE MARIA STUART - Vanutelli, 1861

** Maria, rainha dos escoceses, foi executada por traição em 08 de fevereiro de 1587.

  Por que cargas d´água alguém escolheria este tipo de adorno para um dia de núpcias? A justificativa de José Lemos tem lógica para ele, mas para o leitor deixa uma sensação de preságio tragicômico sobre o futuro do casal.

"Houve alguma luta entre ele e a mulher a respeito da colocação da primeira gravura. D. Beatriz achou que era indecente um grupo de homem abraçado com tantas mulheres. Além disso , não lhe parecia próprios dous quadros fúnebres em dia de festa. José Lemos, que tinha sido membro de uma sociedade literária, quando era rapaz, respondeu triunfantemente que os dous quadros eram históricos, e que a história está bem em todas as famílias. Podia acrescentar que nem todas famílias estão bem na história; mas este trocadilho era mais lúgubre que os quadros."                                   
  Além destas, outras referencias aparecem ao longo do conto realçando ainda mais a força da ironia do escritor. 

EDITORA GLOBO, 154 páginas

  Para completar a graça desta história, Machado estava implacavelmente inspirado quando bolou a descrição das personagens. José Lemos e D. Beatriz formam um casal estranho que colocou no mundo duas filhas ligeiramente sonsas e dois filhos, irmãos sobretudo na preguiça e na gulodice. 

  O noivo que demora pra chegar, o convidado com cabeça de jaca, o outro com artificial ar gravíssimo, os que só pensam na hora do jantar, são o retrato de um grupo sem real consideração pelo evento das bodas e que só pensa na própria imagem e satisfação.

  Dei muitas e boas risadas...


Um beijo e ótimas leituras.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

OS MAIAS de Eça de Queirós (em 1001 Livros para Ler Antes de Morrer).

"Eu poderia dizer que, ao fim e ao cabo, OS MAIAS são um romance sobre o espaço, onde a "geografia" de um país, de uma cidade, mas também de várias casas e de muitos corpos é percorrida pelo olhar atento de um narrador que nunca duvidou de que era por detrás das superfícies que as verdades se escondiam." (Monica Figueiredo)

Entrada de OS MAIAS em 1001 para Ler Antes de Morrer

"A casa que os Maias vieram habitar em Lisboa no outono de 1875 era conhecida na vizinhança da rua de São Francisco de Paula, e em todo o bairro das Janelas Verdes, pela Casa do Ramalhete, ou simplesmente o Ramalhete." (p.7)

Zahar, 574 páginas

"Obra máxima de Eça de Queirós, marco da literatura portuguesa, OS MAIAS envolve o leitor na irresistível atmosfera de Lisboa de fins do século XIX. Tendo como protagonistas Afonso, Pedro e Carlos Eduardo da Maia, e apresentando outros personagens memoráveis, como João da Ega, Dâmaso Salcede, Maria Eduarda e o casal Gouvarinho, narra a trajetória de uma família, a história de uma amor impossível e os rumos de um país. Eça dá vida a um refinado jogo social e compõe um panorama da cultura e dos problemas sociais e políticos do seu tempo, numa prosa limpa, cortante e inigualável."
...

OS MAIAS é uma história que, desde o primeiro contato em 1994 (sim, eu lembro o ano), não saiu mais de minha vida. O livro me tocou de modo tão marcante que, durante as semanas seguintes àquela primeira leitura, não saia da minha cabeça. Foi a minha terceira experiência com o escritor, antecedida pelos indefectíveis O CRIME DO PADRE AMARO e O PRIMO BASÍLIO

Eça de Queirós me deixou abismada nas leituras anteriores, porém, o que senti com OS MAIAS foi algo tão peculiar que, aos 21 anos, eu não sabia como definir.

Em 2001 saiu aqui no Brasil uma belíssima adaptação televisiva. Esta dramatização apresenta algumas diferenças em relação ao texto original, todavia, considero que a essência e - mais importante - o espírito da história foi capturado e transmitido brilhantemente. Quando a série chegou ao fim, após semanas me arrancando lagrimas copiosas, eu reli alguns trechos do livro. OS MAIAS  colaram de vez em minha alma. 

Livro, trilha sonora, DVD e, hoje em dia, tudo que posso encontrar na internet sobre o tema, me atraem e eu vou - feito mariposa para luz - ler, ouvir, assistir de novo, e de novo, e de novo...

Foi inevitável adquirir esta edição lançada pela Zahar em 2014.


Contra-capa e folha de rosto

Chego ao final de uma nova leitura (completa) com a alma transbordando de Afonso, Maria Eduarda, Carlos, Pedro, Maria Monforte, Ega, Rosicler... 

E hoje, aos 44 anos, consigo entender, um pouco melhor, as sensações tão difíceis de nomear, e que resultaram naquele primeiro nó de garganta vivido em 1994.

Empatia profunda com um texto. Desgosto pelos personagens vencidos, quando tinham tudo para serem vencedores. Tristeza diante das tragédias sofridas. Deslumbramento por testemunhar a potência literária de um autor.

- Ainda agora, escrevendo estas impressões, minha garganta dói, e meus olhos se enchem.

...


Mas, para não deixar a impressão de que OS MAIAS é tão somente "um romance do desencanto", afirmo que dei muita risada com a ironia de Eça de Queirós

Como prova, deixo aqui uma lista de algumas das melhores frases que encontramos pelo caminho.



"Num país em que a ocupação geral é estar doente, o maior serviço patriótico é incontestavelmente saber curar." (p.73)

- Enfim - exclamou o Ega - se não aparecem mulheres, importam-se, que é em Portugal para tudo recurso natural. Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, indústrias, modas, maneiras, pilhérias, tudo nos vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssima, com os direitos da Alfândega: e é de segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..." (p.91)

 "Carlos achava deliciosa aquela naturalidade mefistotélica com que o Ega o induzia a quebrar uma infinidade de leis religiosas, morais, sociais, domésticas..." (p.159)

"- Acredite você uma coisa, Craft - terminou ele por dizer, cedendo ao Taveira, que o puxava para a mesa - isto de consciência é uma questão de educação. Adquire-se como as boas maneiras; sofrer em silêncio por ter traído um amigo, aprende-se exatamente como se aprende a não meter a mão no nariz. Questão de educação... No resto da gente é apenas  medo da cadeia, ou da bengala..." (p.174)

 "Uma das senhoras de preto fazia votos para que se aliviassem os estudos. As pobres crianças sucumbiam verdadeiramente à quantidade exagerada de matérias , de coisas a decorar: o dela, o Joãozinho, andava tão pálido e tão desfigurado, que ela às vezes tinha vontade de o deixar ficar ignorante de todo." (p.234)   

"Tudo na terra, meu Dâmaso, é aparência e engano."(p.298) 

"- Pois então façam vocês essa revolução. Mas pelo amor de Deus, façam alguma coisa!" (p.302)

"- Essa necessidade de banhos morais está-se tornando, com efeito, tão frequente... Devia haver na cidade um estabelecimento para eles. (p.379) 

"Mas Ega entendia que que o Sr. Afonso da Maia devia descer à arena, lançar também a palavra do seu saber e da sua experiência. Então o velho riu. O quê! Compor prosa, ele, que hesitava para traçar uma carta ao feitor? De resto, o que teria a dizer ao seu país, como fruto da sua experiência, reduzia-se pobremente a três conselhos, em três frases - aos políticos: "menos liberalismo e mais caráter"; aos homens de letra: "menos eloquência e mais ideia"; ao cidadão em geral: "menos progresso e mais moral". (p.439)  

"Falhamos a vida, menino!" (p.549) 






PS: A edição da Zahar é muito boa, apesar de uma pouco pesada. Prestem atenção no posfácio de Monica Figueiredo.



Um beijo e ótimas leituras.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Eu recomendo: ANTES DO BAILE VERDE de Lygia Fagundes Telles

"Lygia Fagundes Telles sempre teve o alto mérito de obter, no romance e no conto, a limpidez adequada a uma visão que penetra e revela, sem recurso a qualquer truque ou traço carregado, na linguagem ou na característica."


A linda Lygia

ANTES DO BAILE VERDE é um livro estranho. Fico pensado como deve ser a reação padrão dos "leitores comuns" aos seus contos. Digo "comuns" para me referir a leitores como eu, que chegam ao livro sem saber muito sobre ele,e que se pegam pensado: "Será que eu entendi direito?" 

Posso estar divagando, e passar a impressão de que o livro não me agradou, mas o livro me deixou deslumbrada. Sendo a estranheza dele um dos fatores que mais contaram para estre deslumbramento.

Companhia das Letras, 205 páginas 

São 18 contos que, em comum entre si, têm os retratos de como as pessoas se comportam e reagem às tragédias, frustrações e decepções nas quais tropeçam pela vida à fora. Nada é muito explicado e as histórias, em sua maioria, terminam em um corte, segundos antes de ser revelada a consequência da ação narrada.

Como eu disse; estranho. Todavia brilhante e incrivelmente bem feito. Não temos respostas, mas nos inundam as sensações do que, potencialmente, poderá (poderia) vir em sequencia.

Todos os contos são muito bons, porém, se eu tivesse que eleger os meus favoritos seriam eles:

- VERDE LAGARTO AMARELO
- HELGA
- MEIA-NOITE EM PONTO EM XANGAI
- O JARDIM SELVAGEM
- UM CHÁ BEM FORTE E TRÊS XÍCARAS
- O MENINO 

Lygia Fagundes Telles é uma mestra em tantos níveis de excelência que nem dá pra explicar. Só posso dizer, "leia e testemunhe a genialidade da pessoa!" 


Um beijo e ótimas leituras. 


quarta-feira, 1 de março de 2017

RESTOS DO CARNAVAL de Clarice Lispector

"Seu olhar passava por cima das regras, quase voraz em sua busca da essência."


ELA



Neste conto (provavelmente autobiográfico) a narradora conta o que o Carnaval despertava em sua alma e relembra uma situação ocorrida durante as folias de Momo, em Recife, quando ela era criança. 

Eu gosto muito deste texto. É poético, melancólico com pequenos rompantes de alegria, e fala de Recife - hoje tão castigada pela violência urbana e a brutalidade dos tempos modernos - por uma ótica bela, inocente, perdida. 



Coma a mãe da protagonista tinha uma saúde debilitada, e a família vivia assombrada pelo problema, ela nunca podia brincar o carnaval e precisava contentar-se com o papel de espectadora passiva daquele momento mágico. 

Algo acontece, porém, e lhe dá a chance de, pela primeira vez, aos oito anos, penetrar neste universo mágico. 

"Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. (...) Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga - talvez atendendo a meu apelo mudo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por bondade, já que sobrara papel - resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara do material. Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma."

Até quem não gosta de Carnaval vai se comover com os dramas e dilemas da pequena foliã.

O conto faz parte do lindo livro FELICIDADE CLANDESTINA. 

Editora ROCCO, 159 páginas

Um beijo e ótimas leituras!  

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

FAR FROM THE MADDING CROWD de Thomas Hardy (em 1001 Livros para Ler Antes de Morrer)

"A natureza tem seus venenos, como a humanidade tem seus males."

Hardy, foto de 1884

FAR FROM THE MADDING CROWD (1874), o primeiro romance escrito por Thomas Hardy (1840-1928), conta a história de Bathsheba Everdene, uma moça que herda uma grande propriedade rural e torna-se, muito jovem, dona de seu próprio nariz. 

Esta independência precoce traz benefícios para a vida financeira de Bathsheba - que administra belamente seus negócio. Por outro lado, a imaturidade emocional da heroína de Hardy a leva tomar atitudes e  fazer escolhas que acabam bagunçando seu ambiente pessoal.

"As pressões da modernidade do fim da era vitoriana, palpáveis na nas obras tardias de Thomas Hardy, mal afetam o mundo de LONGE DA MULTIDÃO. Os personagens rústicos menores parecem saídos de uma época anterior.(...) Mas a visão de Hardy já engloba a injustiça e a tragédia."

Collins Classics, 458 páginas

Bathsheba se vê cercada por três homens com caráteres e objetivos bem diferentes uns dos outros, e acaba fazendo escolhas infelizes com consequências desastrosas.  

Devo admitir que a protagonista me irritou um pouco, mas acabei percebendo que seu comportamento era de se esperar; uma jovem, órfã, com bastante dinheiro e sem a "supervisão" de um "adulto", dá muita cabeçada antes de apender o que é viver. 

E existe Gabriel Oaks, um dos caras mais legais da literatura, e, para mim, o grande personagem desde livro.

No Brasil o romance é publicado pela Pedrazul Editora com o título Longe deste Insensato Mundo.

Em 2015 FAR FROM THE MADDING CROWD foi levado para a telas de cinema em uma adaptação muito bonita e bem fiel ao texto de Hardy.




  Meu primeiro contato com Thomas Hardy me deixou curiosa para conhecer outras obras deste autor, ainda pouco divulgado por aqui.


Um beijos e ótimas leituras.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

1001 Livros Para Ler Antes de Morrer: MINHA LISTA

Como eu pretendo movimentar parte de minhas leituras no presente ano ;)


Editora SEXTANTE, 960 páginas


"1001 livros para ler antes de morrer reúne algumas das obras de ficção de maior impacto da histórias. De clássicos como  Dom Quixote, de Cervantes, e Os Lusíadas, de Camões, até os mais recentes e inovadores, como Almoço nu, de William Burroughs, e Tudo se ilumina, de Jonathan Safran Foer, você encontrará aqui títulos que marcaram época, dos mais diversos estilos e para todos os gostos."

   Choque de realidade número 1: 

Eu tive quando peguei este livro e fui fazer um levantamento do que  eu já havia lido. O número foi um balde de água fria em meus brios de leitora: 42 livros! 

Coitada de mim, achando que chegaria na marca dos 100 fácil, fácil. 

42 foi humilhante, mas o pior ainda estava por vir...

   Choque de realidade número 2: 

Tenho em minha estande 45 títulos citados - entre livros, novelas e contos - que nunca li, ou que li há tanto tempo que já nem tem mais graça. 

Como pode uma pessoa comprar tanto e ler tão pouco - comparativamente?

   
AZUL: Lidos. ROSA: Não lidos.

Isto está me incomodando de verdade.

Então, decidi me policiar e estabelecer a meta de, em 2017, ler, pelo menos, oito dos seguintes títulos:

- As Mil e Uma Noites
- Os Lusíadas
- Dom Quixote
- Moll Flanders
- Frankenstein
- O Vermelho e o Negro
- Eugénie Grandet
- O Poço e o Pêndulo
- O Morro dos Ventos Uivantes
- David Copperfield
- Great Expectations
- Pais e Filhos
- Os Miseráveis
- Alice No País das Maravilhas
- Alice Através do Espelho
- Far From the Madding Crowd
- Anna Karenina
- A morte de Ivan Ilich
- Os Maias (já li, mas comprei a edição nova da Zahar...)
- A Cidade e as Serras
- Coração das Trevas
- A Room With a View
- Howards End
- Triste Fim de Policarpo Quaresma
- Mrs. Dalloway
- As Aventuras do Bom Soldado Svejk
- Em Busca do Tempo Perdido (só li o vol.1 de 7)
- ...E o Vento Levou
- Angústia
- Vidas Secas (li nas carreiras no ensino médio)
- Sagarana
- A Peste (li há mais de vinte anos)
- O Tempo e o Vento
- O Homem Revoltado
- O Velho e o Mar
- O Senhor das Moscas
- Grande Sertão: Veredas
- O Sol é Para Todos
- Ardil 22
- A Pedra do Reino
- Sargento Getúlio
- O livro do Desassossego (li, mas já esqueci)
- Os Versos Satânicos
- História do Cerco de Lisboa
- Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra

"Com resenhas elaboradas por uma equipe de escritores, críticos literários e jornalistas internacionais, este livro poderá guiá-lo pela história da literatura mundial. E, para darmos mais destaque  à produção literária de língua portuguesa, incluímos nomes como Aluízio de Azevedo, Lima Barreto, Lygia Fagundes Telles e Mia Couto."
   
1001 LIVROS PARA LER ANTES DE MORRER é um excelente  catálogo de obras essenciais. Além disto, está me ajudando a olhar de modo mais racional os livros de meu acervo, a decidir o que leio e mantenho comigo para vida, e o que considerar apenas transitório em minha estante.

Um beijo e ótimas leituras.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Clássicos da Literatura Brasileira: TIL de José de Alencar

O livro que me fez ser menos implicante com a obra alencarina. 


Ateliê Editorial, 382 páginas

  Eu acho que mudar de opinião - especialmente quando você sai da visão negativa para a positiva - é algo reconfortante. Me traz a sensação de que não sou prisioneira de minhas ideias, opiniões ou preconceitos; que continuo aprendendo coisas; que minha mente não está estagnada; que sou, como toda boa geminiana, flexível (não volúvel) e adaptável (não inconstante).

  Dito isso, venho a público reconhecer e recomendar TIL (1872), e estender uma bandeira branca para, finalmente, tentar uma trégua em minha turbulenta relação com José de Alencar. (rsrsrsrs)

  Antes de mais nada, queria deixar um pensamento que me ocorreu vária vezes durante a leitura de TIL. Algo que por implicância e falta de empatia eu nunca havia considerado até então: É muito duro ser ALENCAR no país de MACHADO.

  Simples assim!

 Lendo TIL eu constatei que por mais habilidoso e proficiente que ele fosse - e era mesmo! - toda a sua engenhosidade narrativa estava fadada a ser eclipsada pela majestade de Machado de Assis. E como agora estou convencida de que comparações são uma perda de tempo e uma injustiça, resolvi que daqui em diante vou ler Alencar por ele mesmo; um escritor produtivo, que abriu o caminho da literatura nacional para quem veio depois. 

  Gostarei de umas obras, talvez desgoste de outras, mas vou parar de birra. 

Paz e Amor, José! 

:)

...

  TIL conta a história de Berta, uma órfã que encanta todos e tudo à sua volta. Falando assim, até parece que estamos diante de uma trama fofinha, cheia de amor e romance, mas passa longe. O passado da menina - que só é revelado bem adiante na narrativa - esconde segredos medonhos, com consequências pesadas para a vida de personagens nos diferentes núcleos. 

  O modo com o autor vai apresentando os eventos causa, logo de início, a sensação de ele ia "esquecendo" de expor alguns fatos. Eu ficava meio na dúvida se estava perdida, ou se faltava informação. Mas a medida que a história avançava fui entendendo que os vários cortes de cenas iam criando um baita clima de suspense que me deixou grudada às páginas de TIL

  Os elementos sobrenaturais, a violência inesperadamente explícita, e o curioso relacionamento entre Berta e Jão Fera fizeram da minha segunda leitura do ano uma ótima surpresa que recomendo a todos os leitores de plantão.

"Sua obra é uma das minas da literatura brasileira, até hoje, e embora não pareça, tem continuidades no Modernismo. (...) alguma coisa do Grande-Sertão já existia em Til, no ritmo das façanhas de Jão Fera(...)"
  
  Quem sou eu para discordar de Robert Schwarz...


Um beijo e ótimas leituras.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Romances de Machado em ordem cronológica - um parêntese: CASA VELHA

Nem romance, nem conto: uma novela.


Edições Garnier, 184 páginas 

   Publicada entre os anos de 1885 e 1886, na revista de moda A Estação, a novela ficou perdida até 1944, quando a crítica literária Lúcia Miguel Pereira recolheu, organizou e reeditou em forma de livro a obra que, provavelmente, acabaria caindo no esquecimento.  

  CASA VELHA consta em algumas listas dos textos de Machado como sendo o sexto romance publicado por ele - "espremido" entre Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881) e Quincas Borba (1891) - mas, oficialmente, é considerado uma novela. 

   Lúcia Miguel Pereira, inclusive, defendia a ideia de que a história havia sido escrita anos antes de sua publicação na revista carioca, e que Machado deve tê-la "desengavetado" para atender uma encomenda inesperada.

"CASA VELHA deve pertencer ao número dos trabalhos exumados. Embora publicado na melhor fase, não é das melhores obras do autor. Psicologicamente - e, no caso, os argumentos psicológicos são os únicos de que podemos lançar mão - pode ser colocada na primeira fase de sua obra."  

   De fato, guarda muitas semelhanças com obras do começo da carreira do autor, especialmente, com os romances Iaiá Garcia e Helena.

   A trama é narrada por um cônego que relembra uma situação acontecida no ano de 1839. O (então) jovem religioso havia decidido escrever um livro sobre política e para isso começou a frequentar a biblioteca da casa de D. Antônia, uma rica viúva. Esta senhora tinha um filho único, Félix. A casa também era frequentada por Lalau - ou Cláudia - uma jovem agregada muito querida da senhora. Os jovens acabam se apaixonando e fazendo do narrador seu confidente. A mãe, obviamente, não aprova o relacionamento e usa argumentos pesados para impedir a união dos dois.

   Li as menos de 100 páginas da história com o constante sentimento de déjà-vu. E como eu venho experimentando os romances Machadianos na sequência, senti CASA VELHA muito inferior ao livro de 1881. 

   Em todo caso, a leitura foi válida. Principalmente por conta da edição da GARNIER que conta com um prefácio bem detalhado escrito pela própria Lúcia Miguel Pereira, e um artigo acadêmico de John Gledson intitulado CASA VELHA: Um subsídio para melhor compreensão de Machado de Assis

   Um livro para fãs, estudiosos e curiosos.

Um beijo e ótimas leituras.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Coisas de Leitor: O próximo livro...

Sempre que termino uma leitura feliz passo pelo mesmo dilema: o que ler agora? 




   Não tenho como escapar: é chegar na reta final de um livro massa, e eu começo a sofrer. Sofro porque vou sentir saudade do que estou vivendo naquele momento - a alegria de está envolvida em uma trama boa. E sofro, principalmente, por saber que vai ser duro colocar outra naquele lugar.

  Já perdi as contas das vezes que cheguei na última página de um livro e voltei, imediatamente, para a primeira, e li tudo de novo. Têm livros que não me deixaram outra alternativa...

   Neste exato momento estou nesta encruzilhada; fico de um lado para o outro, abro este e aquele volume, e nada engata. Não por falta de opção - que fique claro - mas a faísca não apareceu ainda.

   Pois é... enquanto minha próxima grande leitura não chega, fico relendo trechos da anterior, abro livros de poesias queridos, leio contos e livros infantis, e sigo aguardando a inspiração, que chegará...

Um beijo e ótimas leituras.